Falando (sobre) abobrinha

ImagemEste delicioso e versátil vegetal ganhou na linguagem popular um tom pejorativo, mas está presente com frequência na mesa dos brasileiros. Nativa da América, pertence a família das cucurbitáceas junto com o pepino, melancia, melão entre outros.

As abóboras podem se autofecundar, mantendo seu padrão genético, mas também realizam polinização cruzada, gerando muitas variações de cor, forma e sabor. Apesar de ser uma planta tropical, foram os europeus e norte-americanos que exploraram essa variabilidade genética, produzindo uma grande diversidade de frutos. As empresas de sementes brasileiras contam em seu catálogo com aproximadamente 37 variedades, as européias disponibilizam 63.

Porém muitas delas são híbridas, plantas que não têm suas características fixadas e quando retiramos suas sementes para replantar sofrem degeneração. Felizmente vários grupos ao redor do mundo têm conservado e disseminado sementes crioulas, cultivares tradicionais adaptadas a climas e solos passíveis de replicação.

Este ano decidimos experimentar cultivar duas variedades de abobrinhas (Curcubita pepo) em nosso quintal que não são encontradas comumente nas feiras e supermercados. São as variedades Soleil (amarela) e Black Beauty (verde-escura) de sementes trazidas da Inglaterra por uma casal de amigos.

As plantas se desenvolveram bem em nosso quintal, gerando belos frutos. O sabor é diferente daquelas cultivares brasileiras especialmente a Black Beauty que têm um gosto amanteigado. Alguns frutos foram selecionados para retirarmos sementes e vermos como se comportarão nas próximas gerações.

Mesmo com tanta diversidade, seja ela híbrida ou crioula, o mercado monocultural nos restringe a experimentarmos duas ou três variedades de abobrinhas disponíveis na feira ou no supermercado. Podemos contornar essa situação cultivando esse vegetal em casa.

ImagemO pé de abobrinha têm crescimento arbustivo, ocupando pouco espaço no jardim( 1m2). No momento do plantio é interessante colocar no berço (sim, porque cova é para quem morreu e estamos falando de vida aqui!) esterco de galinha, vaca, cavalo ou húmus de minhoca. A colheita inicia com aproximadamente 30 dias e se prolonga por 3 meses.

As belas e grandes flores amarelas são um grande atrativo de insetos, alguns benéficos outros nem tanto. Para manter o controle destes seres, podemos aplicar pimenta diluída em água sobre a planta. Colocar um pouco de sabão em pedra na mistura ajuda a dar aderência. Outra dica é plantar nas proximidades tagetes. Este cravo ajuda a manter alguns insetos à distância protegendo as plantas de ataques.

As cucurbitáceas têm um outro inimigo natural: o Oídio. Esta doença é causada pelo fungo Sphaerotheca fuliginea, que ataca a parte aérea da planta causando o secamento das folhas e podridão no caule e frutos. Podemos fazer o controle pulverizando sobre a planta leite bovino diluído em água à 5%. É interessante fazer esta aplicação a cada 15 dias como preventivo. Caso a planta já apresente os sintomas, aplicar semanalmente. Se a infestação estiver generalizada, aumentar a concentração para 10%.

Mas é importante lembrar que a melhor medida para se controlar insetos e doenças é a diversidade no jardim e a boa nutrição do solo. Uma terra rica em matéria orgânica num canteiro bem diversificado é o melhor remédio.

 Bem, agora chega de “falar abobrinha”. É hora de saboreá-la. Bom apetite!

 

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2 respostas em “Falando (sobre) abobrinha

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